As 5.180 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores !!!
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<> POR FAVOR, alerte-me para qualquer erro que encontre <>
<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
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Num bar

Domingos Gonçalves Costa / Eugénio Pepe
Repertório de Tony de Matos

De bar em bar
Bebida atrás de bebida
Foi assim a minha vida
Meses, tentando esquecê-la
Mas era à noite
Que a minh'alma incompreendida
Por entre a noite perdida
Louca, corria atrás dela

Ninguém suponha
Que um homem que adora e quer
Poderá sentir vergonha
Por gostar duma mulher
Pode chorar
Pode sentir-se infeliz
Ao fazer como eu já fiz
Esconder suas dores num bar


Na imensidão
Desse bar, só uma imagem
P'ra me tirar a coragem
Surgia na escuridão
Imagem bela
Que eu adoro e no entanto
Eu estava ali para um canto
Louco, tentando esquecê-la

P’ra me livrar da saudade

Mário Raínho / Frutuoso França *fado jovita
Repertório de Fernando Jorge 

Desculpem, que a saudade não me deixa
E não me sai da alma, onde se abriga
Já fiz ao coração, tanta vez, queixa
Mas esse pobre louco não me liga

Bem tento excomungá-la do meu peito
Da boca, aonde sobe a toda a hora
Mas, a saudade sempre arranja jeito
Desculpas pra ficar, não ir embora

Se acamo, os meus lençóis, pra dormir
Logo ela toma conta d’almofada
E possui os meus sonhos, a sorrir
Desperta-me por tudo e até por nada

Mas hei-de arranjar modo de despejo
Para a arrancar de mim, forçosamente
Nem que, pra isso, engane o seu desejo
E vá viver contigo, novamente

Anjos caídos

Fernando Campos de Castro / Pedro Rodrigues
Repertório de Paulo Cangalhas

Nesta hora de partida
Será tempo de ficar
Neste desejo que abrasa
Dois amantes sem ter casa
E sem ter onde morar

Fiquemos à beira-esquina / Onde a noite se insinua
Depois que tudo adormeça / E a cidade nos ofereça
O quarto aberto da rua

Com lençóis de neblina / Sob a luz dum candeeiro
Boca na boca em ternura / Seremos corpo em loucura
Bem maiores que o mundo inteiro

Como dois anjos caídos / Nas pedras negras do chão
Dormiremos já cansados / Com os corpos abraçados
Em forma de coração

Fado nocturno

Feijó Teixeira / Francisco José Marques *fado zé negro*
Repertório de Amália 
Tema gravado por Carlos do Carmo com o título *Rodam as quatro estações*

Rodam as quatro estações
Dá lugar o sol à lua
Cai a noite sem pregões
E nós ficámos na rua
A escutar dois corações
Que dizem que vou ser tua

Podes dizer-me um adeus / E olhar-me com desdém
Eu sei que não serás meu
Só quero que todo o bem / Que agora mesmo morreu
Não o dês a mais ninguém

Cegam-me as luzes perdidas / Que se escondem p’la cidade
Horas mortas já vencidas
Doem-me as dores da saudade / E das saudades fingidas
De quem finge ter saudades

Depressa, vem depressa

Diogo Clemente / Manuel Mendes
Repertório de André Vaz 

Depressa, vem depressa ter comigo
Antes que eu escreva aquilo que não quero
Beijos que ficam dores, o quadro antigo
Que impele teimosamente ao desespero

Depressa, com a força das marés
Banha-me a praia, salga a minha areia
P’ra que eu esqueça do amor o seu revés
E a voz suave e rouca da sereia

Depressa, vem beijar-me como dantes
Guarda-me a alma, sou eu que te chamo
Falei co’a solidão há uns instantes
E tanto ódio te tenho, como te amo

Depressa, leva a dor do pensamento
Que assim que eu te abraçar já não interessa
O tudo que hoje quero é o momento
Depressa meu amor, vem mais depressa

Sete anos de pastor

Luís de Camões / Carlos Gonçalves
Repertório de Amália 

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela
Mas não servia a ele, servia a ela
E a ela só por prémio pretendia

Os dias, na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê la
Porém o pai, usando de cautela
Em lugar de Raquel lhe dava Lia

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora
Como se a não tivera merecida
Começa de servir outros sete anos
Dizendo: mais servira se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida

O que era teu

Tiago Torres da Silva / Alfredo Duarte *menor-versículo*
Repertório de Mónica de Jesus 

Quem me dera ter pecado nos teus braços
Se eu te tenho mais paixão que outro qualquer
E depois de o ter quebrado em mil pedaços
Já não tenho coração pra te acolher

O meu corpo... dar-to-ia sem pudor
Mas a ânsia de te amar não me valeu
Pois se não me pertencia o teu amor
Também não te pude dar o que era teu

Guardo agora cada beijo num sacrário
Beijos feitos de poeira, beijos de ar
E transformo o meu desejo num calvário
Que eu percorro a vida inteira sem parar

Mas são tantos os cansaços... tanto o fado
Tanto mal que ele me fez e no entanto
Quem me dera nos teus braços ter pecado
P’ra pecar mais uma vez sempre que o canto

Fado na palma da mão

Diamantina e Tiago Santos / Popular *mouraria estilizado*
Repertório de Diamantina 

Não sei se é fado ou sina
Ou se é sina este fado
Que trago desde menina
Na palma da mão, gravado

Sonhei viver p’ra cantar / E p’ra te ter a meu lado
Ninguém me soube contar / De ciúmes morre o fado

Sem pedir, prendeu-me a si / Deixou-me presa em vontade
E agora guardo de ti / Somente a terna saudade

Deve ser este o meu fado / Saber ao fado dar sina
Pois continua gravado / Nas minhas mãos de menina

Casario

Vasco Graça Moura / José Campos e Sousa
Repertório de António Pinto Basto 

Em Lisboa eu prefiro o casario
Que se narcisa visto da outra banda
No espelho às vezes turvo deste rio
Na limpidez do rio às vezes branda

É entre o mar da palha e o bugio
Que o renque das fachadas se desmanda
Em tons de porcelana ao desafio
Em cada patamar, cada varanda

E a luz de água e azul a derramar-se
Vem envolver-lhe o vulto reflectido
Dar-lhe o contraste de uns ciprestes, dar-se
Como um banho lustral e desmedido

É véu de gaze leve o seu disfarce
Mas é tão ténue e frágil o tecido
Que pode acontecer que ainda o esgarce
Um voo de gaivotas esquecido

Então seu corpo sob o véu rasgado
Terá uma outra luz densa e leitosa
Translúcida nudez do compassado
Coração da cidade branca e rosa

Gente do mar

João Dias / Casimiro Ramos *fado três bairros*
Repertório de Rodrigo 

Eu nasci olhando o mar
Com movimento de gente
Remando contra a maré
Mas no duro mourejar
Não deixa de olhar de frente
A vida tal como é

Gente com a pele curtida
Queimada de sol e sal / No rigor dos temporais
Vidas lutando pela vida
Longe deste vendaval / De lutas para cá do cais

Eu nasci ouvindo o vento
Em fragas e areais / Soprando em velas redondas
Aprendi corpo ao relento
Entre moços e arrais / O alfabeto das ondas

Gente para quem o norte
É o pão de cada dia / E diz só o que é preciso
O pão às vezes é morte
E o mar quando se arrelia / Quase nunca traz aviso

O palhaço

Autor desconhecido / Amadeu Ramim *fado zeca*
Repertório de José Manuel Barreto 

Foi na pista dum circo, certo dia
Um famoso palhaço trabalhava
E o publico em delírio e alegria
Não nota que na pista alguém chorava

Dada por finda a sua atuação
Do público se despede o artista
Mas nisto uma estrondosa ovação
Exige que o palhaço volte à pista

Ao longe ouviu-se a voz dum garotinho
Que o rir de muita gente interrompeu
Dizendo; vem depressa meu paizinho
Porque a minha mãezinha já morreu

Abraçado ao petiz a soluçar
O palhaço caiu por sobre a pista
Então ouviu-se o público a gargalhar
Pensando ser trabalho do artista

O palhaço levantando-se se ergueu
Dizendo para todos com voz forte
A mulher que eu mais amo já morreu
E vós estais a rir da sua morte

O garoto que eu agora muito abraço
É tudo quanto resta do meu lar
Por isso tenham pena dum palhaço
Que leva a vida rir pra não chorar

Campa florida

Carlos Macedo / Popular *fado menor*
Repertório de Urias Macedo 

Numa noite de luar
Eu quis visitar alguém
Sozinho eu fui rezar
À campa de minha mãe

Eu à campa me abracei
Lamentando a sorte minha
O que na vida serei
Sem ti, minha mãezinha

DECLAMADO
Venho aqui p’ra te dizer / Que vivo sem ter ninguém
Quem na vida uma mãe perder / Perde pois, tudo o que tem

Ainda me lembro bem / Quando eu te disse adeus
Custou-me muito, também / Ver fechar os olhos teus

E agora, adeus mãezinha / Vou-te deixar, novamente
Tu em tempos foste minha / E partiste para sempre

Eu a campa abandonei
Deixando-a bem florida
Com as lágrimas que chorei
Por minha mãezinha querida

A moldura dos meus olhos

Carlos Conde / Túlio Pereira da Silva
Repertório de Manuel Fernandes

Quando ela chega à janela
Logo o olhar dela tudo alumia
Seus olhos são dois faróis
Que lembram sois durante o dia

No Bairro Alto onde mora
Ela que adora goivos, roseiras
É a graça, a formusura
Duma moldura de trepadeiras

Naquele primeiro andar
Da Travessa da Queimada
Mora a luz do meu olhar
Nos olhos da minha amada
O seu olhar encantador
Vivo, travesso, ladino
São duas rimas do amor
No fado do meu destino

Sem ela a noite persiste
Tem luz mais triste, cor mais sombria
Pois é quando o olhar dela
Chega à janela, que nasce o dia

Andou na marcha, bailou
Dançou, cantou fados, canções
E eu durante a noite toda
Dancei à roda de dois balões

Pensando à noite

Letra e música de Helder do Ó
Repertório de autor

O som da noite embalava a minha cama
Quando vesti de ti, meu pensamento
Ardia em mim aquele fogo, aquela chama
Desse desejo inflamado que sustento
       
Porque és a mentira que eu quisera verdade
És o meu tempo inteiro de saudade
És a razão que não tem razão de ser
És a vontade que eu tenho de te ter;
És a força que ainda me suporta
És quem eu quero ver quando abro a porta
És aquela maravilha que sonhei
És a canção que adoro e que não sei

No meu silêncio oiço o som da tua voz
Que me serviu de companhia a noite inteira
Trago comigo aquela mágoa que há em nós
E aquela estrela que foi nossa compnheira

És a música que me entra no ouvido
És o tema do meu cantar dolorido
És a espera impaciente mas esp’rançada
És o frio que sinto quando é madrugada;
És a felicidade porque há tanto espero 
És a minha vida toda porque eu quero

Minha mãe minha querida

Rui Rocha / Amadeu Ramim *fado zeca*
Repertório de Francisca Gomes

Eu quero que este fado seja o seu
Por tudo o que me deu nesta vida
Que seja agradecida como eu
Por ser eternamente a mais querida

Ser mãe não lhe bastou no dia a dia
O muto era para si tão pouco ou nada
Que dava tudo com tal alegria
Apenas por saber que era amada

O tempo fez mais forte o nosso amor
E cada abraço mais que só ternura
As lutas que travou sem temor
Fizeram-me sentir sempre segura

É minha mãe, e eu quero-lhe dizer
Cantando com carinho e emoção
O quanto é meu orgulho, meu viver
Meu mundo mundo, meu bater do coração

Canto de ternura

Sérgio Marques / Francisco José Marques *fado zé negro*
Repertório de Sérgio Marques                   

Se dizem do fado, louco
Deixem-me cantar um pouco
Pois eu gosto dele assim
Seja alegre ou magoado
Quero sentir no meu fado
A loucura que há em mim

E canto sempre a meu jeito
Mesmo quando neste peito
Habitam tristeza e dor
Que me importa essa loucura
Se é nele que encontro a cura
Para os meus males de amor ?

Se é louco então este fado
Que escutamos com agrado
Mesmo quando há pouca voz
Dendita seja a loucura
Deste canto de ternura
Loucos somos todos nós

Não vale a pena

Letra e música de João Nobre
Repertório de Carlos Ramos

Se este amor, chama apagada
Não é mais nada que uma lembrança
Nele queimei ilusões
Os meus sonhos, minha esperança

Se a fogueira já não arde
Agora é tarde, crê que é verdade
Em nós resta, quem diria
Apenas triste e fria
A cinza da saudade

Não vale a pena
Coração, basta de teima
Chama de amor que não queima
De nada serve atear
Não vale a pena
O amor é uma fogueira
Que só arde a vida inteira
Se tem lenha p’ra queimar

Muitas vezes o ciúme
Feriu como lume o nosso amor
Mas nem sempre a maior chama
É a que dá mais calor

Hoje resta abandonada
Chama apagada que emudeceu
E à lareira que a guardou
Olhando-a fria e só
Apenas tu e eu

Fado falado

Aníbal Nazaré / Nélson de Barros / António Barbosa

Fado triste… fado negro das vielas
Onde a noite quando passa leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz, voz inspirada duma raça
Que mundo em fora nos levou p’lo azul do mar
Se o fado se canta e chora, também se pode falar

Mãos doloridas na guitarra que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes, impacientes
Mãos desoladas e sombrias, desgraçadas, doentias
Onde há traição, ciume e morte
E um coração a bater forte

Uma história bem singela; bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão e a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude que a própria Rosa Maria
No dia de procissão da Senhora da Saúde

Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe, trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados

E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela de todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinhos, que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos debaixo da mesma cama

P’la janela da Emília entrava a lua
E a guitarra à esquina duma rua gemia, dolente a soluçar

E lá em casa:
Mãos amorosas na guitarra que desgarra a dor bizarra
Mãos frementes de desejo, impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado, a guitarra a afagar
Como um corpo de mulher para o despir e para o beijar

Mas um dia:
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua
Meu Deus, que sofrer aquele
O luar bate nas casas, o luar bate na rua
Mas não marca, mas não marca a sombra dele

Procurou-o como doida e ao voltar duma esquina
Viu-o a ele acompanhado, com outra ao lado de braço dado
Gingão, feliz, rufião, um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha o que resta dum cigarro

Lume e cinza na viela, ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela, a cinza no olhar dele

E então:
E o ciúme chegou como lume
Queimou o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio labareda atear 
A fogueira aumentar
Foi a visão infernal, a imagem do mal 
Que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou, que jurou e mentiu

Correm em vertigem num grito
Direito ao maldito que a há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha, tu tens que morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela, que paixão a sua
E cai um corpo sangrando nas pedras da rua

Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem 
E entendem sua dor
Mãos que não mentem quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar

E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou essas bocas febris
Foi um amor que voltou e a desgraça tocou 
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida de novo a surgir
Foi um amor que voltou, que voltou a sorrir

Há gargalhadas no ar 
E o sol a vibrar tem gritos de cor
Há alegria na viela 
E em cada janela renasce uma flor
Veio o perdão e depois 
Felizes os dois lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não falar-se o fado

Guitarra coração

Mário Rainho / Pedro Lima
Repertório de Joana Baeta / David Ventura

Lisboa já devia estar na cama
Mas vejo-a a esta hora ‘inda acordada
Porque uma voz na alma a reclama
Pra se perder d’amores na madrugada

É a voz dum coração que, acelerado,
Teimosamente, ao fado ainda se agarra
Ao último suspiro arrancado
Do velho coração duma guitarra

Guitarra, coração
Duma velhinha idade
As tuas cordas são
As veias da cidade
Se a mágoa no teu peito
É gemido que magoa
Choram os bairros a eito
Guitarra, coração desta Lisboa

Já se levanta o sol, meio ensonado
Quando a casa regressa, da noitada
Esta Lisboa qu’ainda cheira a fado
Um fado que lhe serve de almofada


Sossega o coração, mas não a chama
Até que o sono à alma lhe apareça
Dá voltas e mais voltas sobre a cama
Com o estribilho dum fado na cabeça

Umas quadras de saudade

Fernando Peres / Jaime Santos
Repertório de Maria Amélia Proença

Há quem julgue ser verdade
Que a saudade faz morrer
Eu vivo de ter saudade
E morro se a não tiver

A saudade é na verdade / O mal que sabe tão bem
Que às vezes sinto vontade / De ter saudade de alguém

O fado que a noite dá / É ter saudade sem querer
Um sonho que chegue e vá / Na saudade que vier

Querer à vida é querer mais tempo / Mais tempo a vida não faz
Saudade é tempo de tempo / Da saudade que me dás

Última carta

João Nobre / Acácio Gomes *fado bizarro*
Repertório de Francisco José

Em primeiro lugar que estejas bem
É todo o meu desejo e quanto a mim
Cá sofro o teu desprezo, o teu desdém
Mas não te quero mal por seres assim

Eu não merecia mais, fui um louco
Tão louco que cheguei a acreditar
Nos falsos madrigais da tua boca
No venenoso brilho desse olhar

E nunca mais insistas em pedir
As cartas que escreveste e não sentiste
Quero aprender com elas a mentir
Tal como tu com elas me mentiste